Sempre há esperança
Há 60 anos existe a Declaração Universal dos Direitos Humanos. "Existir é algo bem diferente de cumprir."
Cenas que machucam a alma e nos fazem repensar certos conceitos, são situações que merecem nossa atenção. Um exemplo muito comum são pessoas que vivem nas ruas, embaixo de pontes ou lugares impróprios para habitação.
Esta realidade não é privilégio somente dos grandes centros e das capitais. Ela existe existe em Brusque. Sob a ponte do trabalhador há um cidadão que tem direitos civis e políticos, que escolheu aquele local para morar, não porque achou o local apropriado, mas por necessidade, vivendo como um homem das cavernas contemporâneo.
Mas a questão é a seguinte: o que levaria uma pessoa que tem profissão, que já foi casado, que teve a própria casa, atualmente morar nessas condições?
Em aproximadamente uma hora de conversa, ficamos conhecendo um pouco sobre a vida desse homem que se diz dependente químico. Com uma história de dor e sofrimento, lembra com saudades dos tempos em que já teve um lar e não esconde a emoção ao brotar de seus olhos as lágrimas quando lembra de sua falecida mãe, sua filha e netos.
No local existe uma pequena "casa", talvez de 4X4metros, que guarda algumas roupas, colchões, ferramentas de trabalho e um relógio com a imagem da Virgem Maria, que está pendurado na estrutura da ponte, a "parede de sua casa."
Na companhia do amigo e de uma cachorrinha batizada com nome de Beatriz, este homem procura ser feliz à sua maneira, enquanto relembra histórias de um passado bem mais feliz, entre um gole e outro de água ardente.
Entender o porquê esse homem viver nessas condições não é uma questão fácil de se compreender, já que costumamos julgar sem conhecer. Baseado na solidariedade do povo brusquense, devido aos últimos acontecimentos, ainda é possível se sensibilizar e quem sabe ajudar a conseguir um local onde ele mesmo poderia construir sua própria casa. Segundo ele, "a esperança é a última que morre, e a morte não se compra."
Texto: Paulo Schmidt e Denise Domingues



